Gosto de cereja

Olhe, deseje, sonhe, experimente e depois repita tudo em movimentos da mais pura gula – eis o prazer sem controle e sem censura
Por Gisele Godoy  Fotos Divulgação

Quem é que nunca cobiçou a parte do bolo em que se encontra aquela pequena frutinha vermelha? Festas com doces assim sempre são acompanhadas de gritos do tipo, “mãe, eu quero o pedaço com a cereja!”. Comemorações à parte, a expressão “a cereja do bolo” é habitualmente usada para destacar o ponto alto de um acontecimento, que vai desde a escolha de um bom vestido até o capítulo incrível de um livro.
Como em qualquer dito popular, não dá para saber exatamente quando e como ele surgiu; mas ninguém disse que é proibido imaginar. O vermelho, por exemplo, é uma cor atraente aos olhos e ao paladar, vide a maçã do conto de A Branca de Neve, que é uma fruta grande e suculenta. Podemos considerar ainda que o sabor da cereja – e do morango, seu arquirrival – é quase uma unanimidade; e sempre que bem combinado funciona como atrativo às guloseimas.
E não é só o pomo que é carregado de encanto – sua árvore é linda e possui flores majestosas. A cerejeira é natural do Japão e guarda alguns significados interessantes. O início da floração marca o fim do inverno e a entrada da primavera, tempo que os orientais aguardam ansiosamente. Nessa época é comum encontrar famílias fazendo piqueniques embaixo de suas frondosas copas. Porém, a permanência das flores da cerejeira é muito fugaz, trazendo uma aproximação com o lema dos samurais que é “Viver o presente sem medo”.
A frase acima e o seu sentido literal estão paralelamente ligados, mas a cereja do bolo pode representar muita coisa: talvez seja apenas o local para o lanchinho da tarde ou a proteção perfeita para os casais apaixonados. Mas, o que realmente importa, é se lambuzar na tal da cereja que recobre momentos inesquecíveis.